domingo, 27 de agosto de 2017

CARTEL CONTRA A MOBILIDADE

O maior preço do combustível da região e um dos maiores do estado está em Franca, com forte suspeita de Cartel entre a maioria dos postos, quase R$ 4,00 na gasolina

Max Engler

A questão da mobilidade em Franca, infelizmente nunca foi levada a sério pelos governos! A cidade possui dificultadores iniciais relativos ao relevo e topografia, entretanto, as outras questões são totalmente administrativas, muito mal administradas por sinal! 



Franca está muito alongada e espraiada, com loteamentos sendo abertos sem necessidade real (autorizados pela prefeitura) cada dia mais longe do centro e com imensos vazios urbanos no meio, fato este, que encarece o transporte e a infraestrutura pois aumenta distância entre os pontos. 

A política de ciclovias em Franca também é pífia, tentou-se em último governo, algumas ciclofaixas com horário determinado aos domingos, na prática, não é alternativa segura e viável quando não se tem política pública de investimento em ciclovias. 

Em relação ao transporte público e as várias possibilidades que temos em Franca, esse ponto chega a ser um tragicômico, temos o maior preço proporcional do país na tarifa de ônibus, cobrado (com autorização da prefeitura) por uma empresa que monopoliza o péssimo atendimento de transporte coletivo na cidade há décadas, R$ 4,10. 

Se a opção então for o carro, o maior preço do combustível da região e um dos maiores do estado está em Franca, com forte suspeita de Cartel entre a maioria dos postos, quase R$ 4,00 na gasolina. 

Para finalizar, o pedestre também sofre com o mesmo problema da bicicleta: o relevo não ajuda! Entretanto, os governos menos ainda. Você já deu uma olhada nas calçadas do seu bairro? Na acessibilidade e calçamento das praças? 

Ainda bem que temos muitos parques para compensar este fato.


sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Reunião do PPS Franca define data para Congresso Municipal

De acordo com Marco Garcia, a formação do diretório do PPS/Franca visa fortalecer o partido na cidade, assim como, na região, onde o município é referência

Germano Martiniano



A assembleia congressual do PPS  de Franca será no 23 de setembro as 9:23 na Câmara Municipal de Franca e estão todos convidados a participar do evento. O dia escolhido é até em alusão ao número do partido - 23.

Nesta assembleia, dirigentes, filiados e convidados vão discutir a situação política do país e de Franca além de eleger a nova direção do PPS na cidade e seus representantes no Congresso Estadual do PPS.
Todos os filiados do PPS em Franca estão convidados a participar e alem deles aqueles que entenderem que o PPS se configura como uma alternativa ética e progressista para a crise que vive o pais.

O convite se estende também para os políticos e lideranças da nossa cidade, notadamente os vereadores. Da mesma maneira, estão convidados os companheiros do PPS de cidades vizinhas a Franca, em especial o prefeito de Rifaina, Hugo Lourenço, de São Joaquim da Barra, Marcelo Mian, o deputado estadual Davi Zaia, e também a vereadores e representantes do partido na região.

De acordo com Marco Garcia, a formação do diretório do PPS/Franca visa fortalecer o partido na cidade, assim como, na região, onde o município é referência. O vereador e presidente da Câmara Municipal disse ainda que o PPS "objetiva nas próximas eleições  cargos mais altos e lançar mais nomes para o cenário político".

Alberto Aggio, filiado do partido e professor da UNESP Franca, frisou que “o PPS, não é um grande partido como PSDB, PT e PMDB, no entanto, neste cenário, no qual vários políticos estão sendo investigados pela Lava-Jato, o nosso partido caracteriza-se pela renovação e idoneidade”, e completou, “a tendência é que mais filiados se juntem ao PPS, até porque o partido quer lançar Cristovam Buarque como presidente, isso nos trará muita evidência”.

Novas noticias sobre o Congresso Municipal e também sobre o PPS/Franca podem ser acompanhadas neste portal.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Fernando Gabeira: O interminável mar de lama

“Quantas toneladas/ exportamos de ferro? Quantas lágrimas/ disfarçamos sem berro?” Estes versos de Drummond contam uma longa história da mineração em Minas. Uma história que se confirmou pela anulação do processo de Mariana sobre o mar de lama que provocou 19 mortos, dezenas de lares perdidos e um rio envenenado.

O processo foi anulado porque a polícia teria lido e-mails da empresa, sem autorização. Ela só poderia ler e-mails de um período determinado. O argumento da anulação: violência contra a privacidade da Samarco.
Tenho dificuldades em entender por que a quebra da privacidade de uma empresa é superior à morte de 19 pessoas, destruição de comunidades e envenenamento do mais importante rio do litoral brasileiro.
Foi o maior desastre ambiental do Brasil. Precisa ser julgado. Se a polícia leu e-mails demais, basta neutralizar as informações não permitidas. O essencial está lá: a lama, as mortes. O desastre não é um segredinho da Samarco. É uma realidade que todos que viram sentiram e choraram.
No fim da semana, ao chegar em casa, soube que houve um saque a um caminhão de carne tombado. Para mim isso não é novidade. Vejo e filmo, constantemente, saques a caminhões nas estradas brasileiras. No entanto, este tinha um componente especial: ninguém se importou em socorrer o motorista. O saque se prolongou por quase uma hora, antes que chegassem os bombeiros e retirassem o pobre homem dos escombros.
Se junto esses fatos é para enfatizar como é grave um momento em que a vida humana perde seu valor. Um vereador do Rio chegou ao extremo de cobrar propina para liberar corpos do IML. A própria morte passa ser um objeto de negociação.
No seu livro sobre o homo sapiens, Yuval Noah Harari reflete sobre a linguagem humana. Ela não nasceu apenas da relação com as coisas, da necessidade de alertar sobre o perigo, ou mesmo do interesse das pessoas pela vida das outras, da fofoca. Uma singularidade da linguagem humana é sua capacidade de falar de coisas que não existem materialmente, de um espírito protetor, de um sentimento nacional. Esses mitos que nos mantêm unidos ampliam nossa capacidade produtiva e nossas conquistas comuns.
O que está acontecendo no Brasil é o esgarçamento dessa ideia de pertencer ao mesmo país, de partilhar uma história e um futuro.
O mito da nacionalidade é bombardeado intensamente em Brasília por um sistema político decadente. Eles voltam as costas para o povo e decidem, basicamente, aquilo que é de seu interesse pessoal.
Os laços comuns se dissolvem. Não há mais sentimento de comunidade, e daí para adiante é fácil dissolver os laços entre os próprios seres humanos.
No sentido de partilharmos aspirações comuns, já não somos mais um país. E caminhamos para uma regressão maior desprezando as possibilidades abertas pela linguagem, pelos ancestrais que a usavam para grandes conquistas coletivas.
Somos dominados por um sistema político cínico, que se alimenta, na verdade, da repulsa que nos provoca. Mais repulsa, mais indiferença, isto é, menos possibilidade de mudanças reais.
Quando visitei Israel, um motorista de ônibus, ao ver um incêndio, parou, desceu e foi apagá-lo. Muitas vezes na Europa vi gente reclamando quando se joga lixo na rua. E os próprios suíços chamando a polícia quando há barulho depois das dez da noite.
Isso não é aplicável à nossa cultura de uma forma mecânica. Eu mesmo devo fazer barulho depois das dez. Mas o que está por baixo dessas reações é a sensação de pertencer a um todo maior, de ter responsabilidades com ele.
A degradação política conseguiu enfraquecer esse sentimento no Brasil. Eles fingem encarnar um país e quem os leva a sério acaba virando as costas também para esse país repulsivo.
O resultado desse processo destruidor está aí. Reconheço que mecanismos de desumanização estão em curso em todo o mundo e que fazem parte de um processo mais amplo. Mas é uma ilusão pensar que nossas vidas são apenas um reflexo de uma época que tritura valores. Existem razões específicas, made in Brazil, que nos fazem recuar em termos civilizatórios.
A expressão “elite moralmente repugnante” foi durante muitos anos aplicada aos setores dominantes do Haiti. Ela pode ser transferida para Brasília.
A coexistência silenciosa e indiferente diante dessa realidade vai minar os próprios fundamentos da vida comum.
Os versos de Drummond não se limitam a descrever a tragédia mineral: quantas toneladas de ferro, quantas lágrimas disfarçadas?
O Brasil vai recuperar a força de sua humanidade quando se rebelar. Enquanto aceitar silencioso as afrontas que vêm de cima, a tendência é abrir mão de suas conquistas de homem sapiens e mergulhar numa noite de Neandertal.
O sinais estão aí. Adoraria estar enganado.
*  Fernando Gabeira é jornalista
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Fonte: http://www.fundacaoastrojildo.com.br/2015/2017/08/13/fernando-gabeira-o-interminavel-mar-de-lama/

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Adérmis e Marco Garcia sugerem plano de diminuir tarifa de ônibus em Franca

O que os vereadores querem é que a São José pague os R$ 36 milhões em descontos na passagem dos ônibus


Por: Jornal da Franca


Os vereadores Adérmis Marini (PSDB) e Marco Garcia (PPS) protocolaram ontem, 08, indicação na Câmara Municipal de Franca, referente a uma proposta para tornar a passagem de ônibus coletivo mais barata. 
Após reajuste no último dia 03, a tarifa convencional passou a ser de R$ 4,10 de segunda a sábado; aos domingos, ela passou a custar R$ 1 para o usuário que utilizar cartão magnético.
No texto, os vereadores sugeriram que a Prefeitura de Franca, Empresa São José e Ministério Público se reunissem para discutir a possibilidade de utilizar os R$ 36,4 milhões em bens da São José bloqueados recentemente pela Justiça para diminuir o valor da passagem. 
O montante foi bloqueado devido a uma cobrança de pagamento não honrada pela empresa de ônibus.
“Em suma, o valor serviria como um grande subsídio, barateando a passagem e beneficiando os milhares de francanos que realizam gastos dispendiosos para se deslocar pela cidade”, diz a indicação. 
A sugestão diz respeito ao valor da passagem até o término do contrato vigente.
Fonte: http://www.jornaldafranca.com.br/adermis-e-marco-garcia-sugerem-plano-diminuir-tarifa-de-onibus-em-franca#.WYyYBQLmhGE.facebook

PPS Franca visita Rifaina buscando fortalecer o partido na região

O encontro serviu para estreitar laços e conhecer a administração de Hugo Lourenço, que tem sido bastante elogiada regionalmente

Por: Germano Martiniano


                                                                  Na foto (direita para esquerda): Aggio, Fernando, Hugo, Germano e Alcides 

O PPS Franca por meio de seus dirigentes, Alberto Aggio e Germano Martiniano, esteve na cidade de Rifaina/SP para se enteirar mais sobre o eficiente trabalho que o prefeito Hugo Lourenço, também do PPS, tem realizado na cidade. “Nosso objetivo, sendo de Franca, maior cidade da região, é procurar aproximar das cidades próximas, que tenham prefeitos e vereadores do PPS, para conhecer  suas administrações no sentido de afirmar e fortalecer o PPS regionalmente”, disse Aggio.



Rifaina, além das belezas naturais que possui, represa Jaguara (Rio Grande), morros, matas e cachoeiras, também é citada como uma cidade que recebe com qualidade seu turista. Considerando o tamanho da cidade e a população, 05 mil habitantes, Rifaina possui toda estrutura necessária para receber seus turistas, supermercados, restaurantes, bares, pousadas, marinas e uma bela orla, que recentemente foi modernizada.



O prefeito Hugo Lourenço espera que a cidade, ao fim de seu mandato, passe de Municio de Interesse Turístico (MIT) para Estância. Essas denominações são rankeamentos utilizados pelo governo do Estado de São Paulo para qualificar quais cidades devem receber mais verbas para o setor turístico. Estância, neste caso, seria o último degrau da escala. “Já foram liberadas três obras para melhoria do turismo em nossa cidade: iluminação personalizada da entrada da cidade, sinalização turística e um restaurante no parque de exposições. Esperamos que até o final de nosso mandato possamos melhorar ainda mais nosso turismo para atingir a pontuação necessária para nos tornarmos uma Estância turística”, acrescentou o prefeito.



Na parte de serviços públicos, pode-se ver que Rifaina é uma cidade relativamente limpa, com praças arborizadas e serviços de tratamento de esgoto oferecidos pela Sabesp. A saúde, educação e segurança também são consideradas eficientes.  “O prefeito, primeiramente, deve cuidar da população. Nós proibimos que certos loteamentos fossem feitos, pois iriam aumentar a população rifainense e não teríamos estrutura para acolher este número de pessoas. O turismo é muito importante para nossa cidade, mas a prioridade é o cidadão rifainense e todas suas necessidades”, completou Hugo Lourenço.




O PPS Franca tem a expectativa de dar sequência no contato e na colaboração com a prefeitura de Rifaina e outras cidades da região.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

O lugar de Franca na economia do Estado de São Paulo




O PIB (Produto Interno Bruto) de Franca, que representa a soma de toda a riqueza produzida na cidade, cresceu 23% e já ultrapassa a casa dos R$ 8 bilhões. Os dados foram divulgados nessa segunda-feira pela Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados) e são referentes ao ano de 2014. Apesar da evolução, Franca ainda tem um dos menores PIBs entre os grandes municípios do Estado de São Paulo, só não perde para as cidades conhecidas como “dormitórios” (cuja população, em sua maioria, trabalha em outros municípios), como Carapicuíba e Itaquaquecetuba, na região da Grande São Paulo, além de São Vicente, Guarujá e Praia Grande, no litoral.
Perto das cidades de mesmo porte, o PIB de Franca é bem menor. Enquanto Franca produziu R$ 8 bilhões, Piracicaba registrou mais que o dobro - R$ 22 bilhões - e Bauru, R$ 12,1 bilhões. 
Em 2014, segundo o levantamento do Seade, o PIB de Franca foi puxado principalmente pelo setor de serviços, com investimentos nas áreas de educação, telefonia e energia. À época, a economia ainda estava aquecida pelos programas de crédito fácil implementados pelo governo Dilma Rousseff (PT) e pelo programa Minha Casa, Minha Vida. 
O levantamento do Seade ainda mostrou que a indústria calçadista da cidade vem perdendo espaço. Em 2002, o setor industrial era responsável pela produção de 26,8% do PIB local. Oito anos depois, esse percentual caiu para 21,8%. De acordo com o levantamento, essa redução aconteceu em quase todos os municípios do Estado e se deu principalmente pela migração dos investimentos do setor industrial para o de serviços, que cresceu de 72% para 77,3%.
Região
Além de apontar o total de riquezas geradas nos municípios do Estado, a Fundação Seade também calculou o PIB por região. Com 23 municípios, a região de Franca produziu em 2014 R$ 19,5 bilhões, sendo que o setor de serviços foi o responsável por 66,9% desta produção, a indústria por 24,6% e a agropecuária por 8,5%.
A riqueza das maiores do Estado
Veja quanto é o PIB dos maiores municípios do Estado
Posição  Município PIB (em mil R$)
São Paulo 628.064.882,14
Osasco         58.566.199,37
Campinas 57.673.308,99
Guarulhos 51.389.523,62
S. B. Campo 47.551.620,30
Jundiaí         36.339.234,53
Sorocaba 32.662.451,57
S. J. Campos 30.927.049,08
Santo André 28.119.591,06
10° Ribeirão Preto 28.087.396,98
11° Piracicaba 22.040.590,00
12° Santos         20.147.781,95
13° S. J. Rio Preto 15.802.009,90
14° Taubaté         15.436.485,01
15° Diadema         13.910.516,89
16° Mogi das Cruzes 13.367.335,34
17° Bauru         12.137.133,75
18° Mauá         11.329.503,40
19° Franca         8.069.331,62
20° Guarujá         7.456.001,46
21° Itaquaquecetuba 5.742.348,07
22° Praia Grande 5.512.843,73
23° São Vicente 4.940.871,13
24° Carapicuíba 4.719.835,34

Fonte: Por Priscilla Sales, Comércio da Franca, 01/08/2017

As chances de Bolsonaro e Lula

A fatura que a República tira de seus ismos – grupismo, mandonismo, caciquismo, nepotismo, individualismo, fisiologismo – cresce exponencialmente com o acirramento da crise política, propiciando especulações e versões sobre o campeonato eleitoral de 2018. Erigem-se espaços de protagonistas no pleito e, mais, com indicação de suas possibilidades de vitória, projeções que se fazem a partir do pesquisismo – essa mania desvairada de medir posições de pré-candidatos muito antes dos eventos eleitorais.

A essa altura, já há quem veja Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva na chegada ao pódio, quando ainda não se sabe se serão candidatos ou se as circunstâncias (jurídicas, políticas, econômicas e sociais) permitirão que o sejam.
Bolsonaro só será candidato em cenário de caos político, com expansão da insegurança coletiva e clamor social por ordem nas ruas, sob slogans do tipo: “bandido na cadeia”, “bandido bom é bandido morto”.
Abandonaria alternativas mais viáveis de uma candidatura majoritária no Rio de Janeiro (governo ou senado) e mesmo a continuidade como representante na Câmara Federal por uma opção cheia de riscos?
Admitamos, porém, que entre na canoa presidencial ante a insistência da turba exigindo “basta à bandidagem”. Pela hipótese mais benevolente, sejamos realistas: tem chances mínimas de alcançar vitória. A não ser que se admita uma reviravolta nos padrões culturais e na formação do pensamento de nossas classes sociais.
A força das classes médias
Os contingentes de visão conservadora – tendentes a perfilar ao lado de perfis populistas e identificados com o “poder da bala” – estão na base da pirâmide social e, admitamos, em segmentos do próprio topo, particularmente dos extratos que ainda sonham com a volta dos militares ao poder. São pequenos enclaves radicais.
O ciclo da redemocratização oxigenou os pulmões sociais, gerando movimentos de toda a ordem – em defesa de categorias profissionais, de gêneros e minorias. Esses núcleos são comprometidos com os fundamentos democráticos tão bem pontuados na Constituição de 88. A imensa maioria eleva ao alto a bandeira da cidadania, identificando-se com o ideário das liberdades.
O espaço habitado por imensos contingentes das classes médias (A, B e C), cuja forte expressão gera impactos para cima e para baixo, é o mais largo da pirâmide social. Sua influência equivale a da pedra jogada no meio da lagoa. Forma ondas que chegam até as margens.
O leque de profissionais liberais – médicos, advogados, empresários (dos meios rural e urbano) de médio e pequeno porte, comerciantes, profissionais da comunicação etc – se destaca por ser a maior tuba de ressonância do país.
Pois bem. Essa orquestra entoa o hino progressista. Pode, até, abrigar aqui e ali um ou outro nicho mais conservador, mas suas maiores fatias defendem os avanços civilizatórios e os valores democráticos. Essa é a interpretação que se extrai da fortaleza de onde sai o tiroteio que abate conservadores, demagogos e populistas. Não há hipótese de que esse poderoso grupamento seja atraído pela metralhadora que é Jair Bolsonaro.
As chances de Lula
Da mesma forma, o rolo compressor das classes médias vencerá o bastião de Luiz Inácio, onde os exércitos militantes serão em menor número do que portaram estandartes vermelhos em 2002 e 2006. O lulismo está em decadência, seja porque seu artífice está imerso na lama do petrolão, após ter resistido ao maremoto do mensalão, seja porque o legado por ele deixado desmoronar, após a débâcle na economia perpetrada pela ex-presidente Rousseff.

Não se pode dizer, porém, que o ex-metalúrgico está nocauteado. Continuará a receber a votação da militância e de camadas das margens sociais, principalmente na região Nordeste, onde chega a obter hoje o índice de 45%. Lula é exímio na arte de mistificar. Nos fundões, é visto como o “Pai dos Pobres”.
Comporta-se como Salvador da Pátria e começa a prometer que recolocará o país no altar da grandeza, sem reconhecer o buraco aberto na economia pela era lulista. Resistirá até o último minuto da batalha judicial que tem pela frente, devendo usar os recursos jurídicos (infringentes e de declaração), caso venha a ser condenado na 2ª instância.
A condição de vítima aumentará seu quinhão de votos, mas não a ponto de fazê-lo subir ao pódio. A rejeição ao seu nome subirá ao pico da montanha.
Portanto, toda prudência se faz necessária antes os cenários eleitorais do amanhã. É muito pouco viável o encontro dos extremos, Bolsonaro e Lula, na encruzilhada eleitoral de outubro de 2018. A crise certamente acirrará os ânimos. Mas não se pense que seus efeitos serão benéficos para candidatos localizados nas extremidades do arco ideológico.
A lógica aponta que perfis menos polêmicos, mais afeitos ao diálogo e, sobretudo, não flagrados em escândalos, devem ganhar a preferência do eleitorado. A questão é: quem? Há essa figura? O fato é que não existe, pelo menos ao alcance da vista, um perfil com tal identidade. Seria um empresário? Um profissional liberal de prestígio? Um juiz? Receberia apoio partidário? Difícil.
Como se sabe, há uma regrinha básica nas eleições: o nome deve ganhar apoio de grandes partidos. Só assim a aritmética eleitoral é arrumada. O tempo de mídia é mais longo, permitindo amplo conhecimento do candidato por todos os segmentos da população.
As estruturas partidárias tendem a escolher candidatos entre seus integrantes. Mas não há lideranças capazes de construir consensos. O que se vê é a formação de alas no PMDB, PSDB, PT e em siglas menores. O individualismo impera.
Algum consenso pode se dar na esfera de siglas como Rede Sustentabilidade e PDT. Mas os nomes que apresentam, Marina Silva e Ciro Gomes, têm centímetros abaixo da estatura que se exige para uma candidatura com reais chances.
Em suma, as águas que correrão em 2018 estão longe de desembocar no oceano. Gregos e troianos vão ter de esperar muito para saber que rumo tomará a pororoca.
* Autor: Gaudêncio Torquato, jornalista, professor titular da USP, consultor político e de comunicação
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quarta-feira, 26 de julho de 2017

Entrevista com Marco Garcia, presidente da Câmara Municipal e vereador do PPS

Em nenhum momento, eu ou o PPS fomos convidados a participar da Prefeitura

Por: Germano Martiniano

Na tarde desta terça-feira (25), em que foi aprovado na Câmara Municipal de Franca o repasse de R$ 3 milhões para a Santa Casa de Franca para o custeio dos atendimentos nos meses de julho, agosto e setembro, Marco Garcia, presidente da Câmara e vereador pelo PPS, concedeu entrevista ao blog do PPS/Franca.



Na conversa Marco falou dos seus maiores desafios nos quatro mandatos como presidente da Câmara, do número de vereadores em Franca e também da situação atual do país e da prefeitura de Gilson de Souza. “A prefeitura atual está meio atrapalhada, o Gilson sempre trabalhou no legislativo, agora no executivo tem tido erros constantes”, avaliou o vereador do PPS.

Veja a seguir trechos da entrevista:

1) Blog PPS: Quais foram os maiores desafios nestes quatro mandatos como presidente da Câmara Municipal de Franca?

Marco Garcia: Cada ano se tem um desafio. No ano passado colocamos a TV Câmara no ar, investimos na acessibilidade do prédio para pessoas portadoras de necessidades especiais e hoje o prédio está de acordo com a Lei de Acessibilidade. Também investimos no plano de carreira para os servidores públicos desta casa, o que permitiu que os funcionários permanecessem aqui, pois antes assim que recebiam melhores propostas eles pediam demissão. Todas essas melhorias dependiam da ação do presidente e eu pude realiza-las com ajuda de todos meus assessores. 

2) Blog: Hoje, Franca conta com apenas 15 vereadores, cidades menores que a nossa na região possuem mais, como é o caso de Rio Claro com 17. Você acredita que para próxima eleição esse número será elevado?

Marco Garcia: Depende somente dos vereadores votarem, é uma matéria, que como se diz o ditado “é um prato indigesto” devido ao momento atual do país de crise econômica, afinal se elevariam os custos da Câmara Municipal. E minha opinião vai nessa direção também, pois não é somente o número de vereadores que irá aumentar, mas o número de assessores e analistas, o que traria um grande impacto econômico. Portanto, não acho o momento adequado.

3) Blog: Como você avalia a prefeitura de Gilson de Souza neste primeiro ano?

Marco Garcia: A administração do Gilson de Souza tem cometido algumas trapalhadas, não sei se pelo fato dele ter sido sempre do legislativo, duas vezes vereador e três vezes deputado, e agora estar gerindo uma cidade, ou seja, sendo do executivo. O problema é que os erros têm sido constantes, até mesmo a base aliada, como o vereador Correia Neves, tem criticado duramente a Procuradoria, o departamento jurídico da prefeitura. Por exemplo, o projeto aprovado hoje da Santa Casa deveria ter vindo para Câmara há três meses, e veio somente hoje em regime de urgência. Sinto o governo ainda meio perdido!

4) Blog: Por que o PPS é oposição ao Gilson de Souza?

Marco Garcia: Em nenhum momento eu ou o PPS fomos convidados a participar da Prefeitura. Eu tenho experiência de 20 anos de vida pública, se o prefeito não me chamou, não chamou o PPS para conversar, certamente, porque ele teria fechado com outros vereadores e não teria necessidade de fazer algo com a gente. Eu não faço oposição por fazer, eu critico aquilo que tem necessidade de criticar e elogio quando se tem que elogiar, mas está difícil encontrar um ponto positivo nesta administração.

5) Blog: Franca é um dos piores PIBs (produto interno bruto) entre as grandes cidades do estado de São Paulo, por que? 

Marco Garcia: Somos uma cidade operária quase que mono-indústria. Tivemos nos últimos anos até uma diversificação da atividade industrial, por exemplo, com as fábricas de lingerie. No entanto, nossa atividade industrial ainda gira muito entorno da produção do calçado masculino e o que temos de industrias diferentes são aquelas que servem à produção calçadista, como: solados, palmilhas, cadarços etc. No geral a cadeia produtiva se concentra no calçado, que tem baixo valor agregado. Essa falta de diversificação industrial prejudica o nosso PIB. Uma solução para melhorar nosso PIB seria melhorar a fiscalização sobre o Imposto Sobre Serviço (ISS), que é dinheiro municipal e não estadual, assim poderíamos melhorar a arrecadação e o dinheiro poderia ser revertido para a cidade.

6) Blog: Tivemos na última semana o aumento do preço do combustível, o que deixou a população revoltada. Como você avalia a situação atual do país e o governo Temer?

Marco Garcia: O que tenho visto nos noticiários é que o governo Temer perdoa bilhões de reais de bancos e outras grandes empresas e quem “paga a conta” é o trabalhador brasileiro. Por que o governo não confisca o dinheiro dessas grandes empresas? O Temer, portanto, deveria ter a coragem de cortar na “carne” o excesso de cargos e comissões para ser, verdadeiramente, um estadista. O que vejo hoje é que nosso presidente é um autoritário, tanto é que fez esse aumento da gasolina por decreto e não por lei.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

PPS Franca recebe a visita do vereador de Rio Claro, Yves Carbinatti

O encontro teve como objetivos a troca de experiências entre os vereadores e o fortalecimento do PPS no interior de São Paulo

Por: Germano Martiniano


                         Na foto da esquerda para direita: Germano Martiniano; Yves Carbinatti; Marco Garcia; Alberto Aggio e Arnaldo Bianchini

O PPS Franca, representado pelo vereador Marco Garcia, recebeu na manhã desta sexta-feira (21), na Câmara Municipal, o vereador de Rio Claro, Yves Carbinatti, também eleito pelo PPS. O encontro teve como objetivos a troca de experiências entre os vereadores e o fortalecimento do PPS no interior de São Paulo. Além dos vereadores estiveram presentes na reunião o assessor de Yves, Arnaldo Bianchini, e o professor e historiador, Alberto Aggio.

Marco Garcia resumiu o encontro como uma oportunidade de se fortalecer os municípios e conhecer novas lideranças. “As pessoas vivem, cada vez mais, nas cidades, então é importante trocas de experiências para se fortalecer as políticas municipais. Um outro ponto a ressaltar é que destas reuniões vemos, como no caso do Yves, jovens lideranças que serão nossos deputados, governadores no futuro”, avaliou o vereador francano.




Para Yves Carbinatti, que ainda é jovem no mundo político, a reunião com o vereador francano, que já está no seu quinto mandato, foi valiosa no sentido de adquirir mais experiência. “Este intercâmbio é fundamental, saio daqui com mais conhecimento e poderei levar para minha cidade projetos e ideias que vêm sendo aplicadas pelo vereador Marco em Franca. Espero também ter deixado minha contribuição e exemplo”, disse o vereador de Rio Claro, que é cadeirante desde 2008, quando sofreu acidente de carro, e que agora, como político, tem trabalhado em várias frentes de apoio aos deficientes físicos.



Em consonância com o que disseram os vereadores e visando fortalecer o PPS em Franca e região, Alberto Aggio ressaltou: “precisamos ampliar os contatos do PPS Franca com outras cidades e valorizar as lideranças do partido, especialmente, a do Marco Garcia, que é uma liderança muito expressiva e legitimada na cidade francana”.



O encontro também serviu para acertar alguns detalhes da organização do diretório municipal do PPS em Franca. No dia 05 de agosto, na Câmara Municipal, será votada nova diretoria que irá administrar o partido nos próximos anos.


                                                                                                                      

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Presidente Marco Garcia indica destinação para antigo prédio da Mogiana

O presidente da Câmara Municipal de Franca, vereador Marco Garcia (PPS), indicou ao prefeito de Franca, Gilson de Souza, que seja dada uma destinação o quanto antes para o antigo prédio da Mogiana, que fica entre as avenidas Chico Júlio e Integração, na Estação.

Marco afirmou que a localização do prédio é privilegiada e que muitos aparelhos públicos podem ali ser instalados para beneficiar a população. “Uma de minhas sugestões é que se construa no prédio a segunda unidade do Restaurante Bom Prato, pois atenderia a região da Estação, que é densamente povoada e repleta de estabelecimentos comerciais”, disse o presidente da Câmara.
Outra sugestão dada por Marco Garcia é que se instale no prédio uma subprefeitura, a exemplo do que já existe em várias outras cidades. “Não é necessário nem aumentar o número de servidores, mas dividir, com uma parte vindo para a Estação. Quem mora em uma vasta região, que abrange bairros da zona norte, desde o City Petrópolis e o Paineiras, até a zona oeste, até em bairros como Palermo City ou Esmeralda, poderá ser atendido mais perto de casa”, afirmou o vereador.
O presidente concluiu dizendo que fez sugestões para ajudar a Prefeitura a encontrar um caminho para o problema. “Este prédio está enfeiando nossa cidade. É preciso revitalizar. Espero que o prefeito acate e faça, pois demanda pouco dinheiro, é apenas uma reforma”, finalizou Marco Garcia.

Alberto Aggio: Caminhamos para uma eleição falsa?

A expectativa de chegarmos a bom porto em 2018 esvai-se a cada dia

No seu Aventuras da Dialética, de 1955, ao examinar o dilema das revoluções quanto à liberdade e à emancipação do homem, Merleau-Ponty profere uma sentença que foi vista como bastante audaciosa: “As revoluções são verdadeiras como movimento e falsas como regimes”. Os regimes políticos derivados do comunismo soviético eram o alvo imediato. Mas a frase tinha pretensões de universalidade: diante de um fenômeno histórico, o filósofo francês formulava uma tese que atribuía à “verdade” e à “falsidade” peso definitivo na sua compreensão.
A sentença ensejava um risco imenso. A própria França carregava em sua História, que tinha em 1848 um dos seus epicentros, a mais “verdadeira” das revoluções, depois de 1789. Dela resultou a Segunda República, um regime político que, longe de ser falso e apesar dos seus limites, inovou a forma do Estado burguês no seu nascedouro. Foi um momento heurístico na fundação do Estado democrático e da política moderna. Se, depois dele, aí, sim, emergiria a “falsidade”, com o golpe de Luís Napoleão, restaurando o Império, tal fato não lhe retira a marca histórica, fixando a revolução e seu regime do mesmo lado da “verdade”.
Difícil não acolher a observação sobre quão temerário é falar de verdade e falsidade, especialmente no âmbito da política. Contudo, da mesma forma que o filósofo, é possível cogitar de que, em dose adequada, tal artifício pode resultar sugestivo do ponto de vista analítico.
Como países ou sociedades podem construir, em momentos específicos, notadamente nas eleições, referenciais de “verdade” que expressem o equacionamento possível das suas questões mais dilemáticas, evitando desenlaces destrutivos? Em regimes democráticos legitimados, o critério das eleições livres e periódicas estabelece o terreno no qual a sociedade é convocada a decidir entre uma aproximação à “verdade” ou o estabelecimento do seu contrário. Atualmente, a Venezuela é um caso exemplar em que as eleições não são senão o falseamento do que vive o país, sob o domínio cada vez mais brutal do “espírito de facção” imposto pelo bolivarianismo.
Com toda a precaução que esse tipo de recurso analítico exige, pode-se dizer que há eleições verdadeiras e falsas. As primeiras realizam-se no interior da legitimidade democrática e expressam o embate real em torno dos desafios que a sociedade vive. As segundas, mesmo que realizadas no interior da mesma legitimidade, bloqueiam essa dinâmica e o resultado é o afastamento da sociedade em relação ao “grande debate” que precisaria ser realizado. Uma eleição verdadeira convoca o país para a resolução efetiva de seus problemas, guarda uma relação forte com o presente e um sentido de futuro. Uma eleição falsa afasta-se disso ao impor à sociedade um embate irrealista, geralmente alimentado pela demagogia. Nesta as paixões não estabelecem nenhum diálogo com a dimensão racional da política e depois de contados os votos as energias se esvaem, o oportunismo se instaura e a inércia valida seus métodos.
Ante essa disjuntiva, pode-se dizer que foi verdadeira a eleição presidencial vencida por Emmanuel Macron, na França, e confirmada semanas depois em âmbito parlamentar. A centralidade do europeísmo e da modernização das relações entre Estado e sociedade definiram o quadro de embates reais e, além de os eleitores darem a vitória a Macron, aniquilaram a extrema direita, subalternizaram o republicanismo conservador e empurraram a velha esquerda para uma posição residual.
Pode-se dizer que, no Brasil, a eleição presidencial de 1989 foi uma eleição falsa, uma vez que os dois contendores do segundo turno, Collor e Lula, não representavam as estratégias políticas que guiaram o curso da transição para a democracia e que, atualizadas, dariam nova orientação para o futuro do País. O resultado não expressou o equacionamento dos problemas que então se viviam. Se Lula tivesse vencido, provavelmente se veria o mesmo. O resultado não tinha como ser positivo para o País.
As eleições subsequentes, ambas de FHC e de Lula, não podem ser vistas como falsas. O mesmo não se pode dizer das eleições que consagraram Dilma, interposta pessoa sob comando de Lula. A despeito do julgamento do Tribunal Superior Eleitoral, a eleição de 2014 esteve eivada de corrupção e o embate que se travou dispensou os problemas reais do País, todos eludidos e abordados via marketing. Em 2014 o País entrou em perigosa deriva, perceptível na desconsideração das manifestações do ano anterior tanto pelos governantes de turno como por parte da oposição, que não compreenderam nem assimilaram a crítica da sociedade à falência dos serviços públicos e o seu repúdio à corrupção.
Hoje, a Operação Lava Jato é elemento-chave do cenário político. Além da notória inabilidade de Dilma, dos erros e crimes fiscais, a Lava Jato foi essencial para o clima que levou ao seu afastamento, assim como tem fustigado o presidente Temer, retirando-lhe a iniciativa política e boa parcela da sua sustentação parlamentar. Seguramente, o ethos de intransigência republicana da Lava Jato terá seu peso nas eleições de 2018, embora ainda não se vejam atores homólogos a ele no plano político-eleitoral, excetuando-se a retórica de agrupamentos residuais.
Vivemos um ambiente político angustiante, a despeito de parcos êxitos econômicos do governo. A expectativa de chegarmos a bom porto em 2018 esvai-se a cada dia, aproximando-nos de uma transição mitigada em suas principais tarefas, com Temer ou sem ele.
O pior que nos poderá acontecer é caminharmos para uma eleição falsa – provável, conforme muitos sinais –, que poderá mergulhar o País num poço de autoenganos. Reviver 1989 representará um retorno inconsequente e infeliz. É um momento em que o “pessimismo da razão” é essencial. Resta saber se haverá “otimismo da vontade” para enfrentar um desafio dessa monta.
* Alberto Aggio é historiador e professor titular da Unesp
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domingo, 9 de julho de 2017

É preciso reinventar a esquerda no país, diz Alberto Aggio, em entrevista ao Portal da FAP

                            Foto: Alberto Aggio no I Encontro de Jovens

A vida política brasileira anda bastante conturbada. De um lado se vive uma crise econômica, com quase 14 milhões de desempregados. Por outro lado, o Brasil também passa por uma crise ética na política, que não é de agora, mas que tomou proporções inimagináveis com as revelações da Operação Lava-Jato. 
Esta é a realidade que cerca os 120 participantes e que será debatida durante o II Encontro de Jovens Lideranças, evento organizado pela Fundação Astrojildo Pereira (FAP), que será realizado na Colônia de Férias Kinderland, em Paulo de Frontin (RJ), entre os dias 11 a 15 de julho. 
Para dar mais força à importância do debate dessa realidade vivida hoje em todo o Brasil, a FAP idealizou a palestra “Da revolução à democracia: uma esquerda a inventar”, que será ministrada pelo professor e historiador Alberto Aggio. “A discussão da esquerda é intrínseca à discussão da crise que o país vive”, disse Aggio. O historiador, que defende a necessidade de se reinventar a esquerda brasileira, é o entrevistado de hoje na série de entrevistas especiais que a FAP está publicando com os palestrantes do II Encontro. Confira, a seguir, alguns trechos da entrevista feita por Germano Martiniano:
FAP: Qual a importância de se discutir este tema com os jovens?
Alberto Aggio – A discussão da esquerda é intrínseca à discussão da crise que o país vive. Infelizmente, foram os governos de esquerda comandados pelo PT que colocaram o país na crise que ele está. Assim, é inevitável fazer essa discussão. Contudo, não se deve discutir apenas a partir do PT e de seus governos. Todos sabemos que a esquerda vive hoje uma crise de significados, de projeto e, principalmente, em relação às respostas à crise que o país enfrenta. Depois do PT não há como não se pensar numa reinvenção da esquerda no país.
FAP: por que a necessidade da esquerda se reinventar? O crescimento de movimentos de extrema direita é reflexo de um esgotamento da esquerda?
Alberto Aggio – Não creio que uma coisa esteja diretamente ligada à outra. Acho que a extrema direita cresce porque os dilemas contemporâneos envolvem todas as forças políticas e as respostas que essas forças têm que dar a uma mudança de época que estamos vivendo no mundo, na humanidade. É uma espécie de mutação antropológica o que estamos passando. Se a esquerda não se reinventa, ela se inabilita a ser um ator capaz de dar respostas à essa crise.
FAP: como você vê a esquerda no Brasil atualmente?
Alberto Aggio – A esquerda brasileira passa por um realinhamento em função do desastre que foram os governos do PT, em especial os de Dilma Rousseff. As alternativas que têm sido apresentadas, de certa forma, querem refazer o caminho do PT, desde suas origens. Em certo sentido, reconstruir o PT. Isso não tem sentido, o Brasil já é outro, o mundo já é outro. A esquerda que apoiou o PT carregou muitos elementos autoritários que já deveriam estar fora de discussão. Ela simpatiza com Cuba, com o chavismo, ainda guarda a perspectiva anti-imperialista que, num contexto de globalização, não faz mais sentido. Pensa ainda que a luta de classes é o motor da história e que devemos projetar uma revolução para o nosso país. Por outro lado, não valoriza a democracia que nós construímos, suas instituições e, por isso, não tem uma postura positiva de reformas dessas instituições e, portanto, da sociedade. Por outro lado, outros grupos de esquerda foram sufocados com o predomínio no PT e hoje são francamente minoritários. É o caso de uma esquerda democrática que pense a construção de uma sociedade moderna no país por meio da política e da cultura democrática. Diante da crise de referências, a esquerda não pode se projetar no país, senão, como uma força de centro-esquerda, que proponha um governo de centro-esquerda, reformista e democrático. Quem permanecer junto com o lulismo e sua narrativa não estará credenciado a fazer isso.
FAP: muitas pessoas consideram as reformas propostas pelo governo Temer como sendo de direita. Por outro lado, o mundo do trabalho está se modificando, a população brasileira envelhecendo, desta forma a esquerda não pode negar essa situação. Qual sua avaliação?
Alberto Aggio – As reformas de Temer não são nem de esquerda nem de direita. São, em primeiro lugar, emergenciais em função do descalabro que o petismo promoveu no Estado brasileiro. Por outro lado, elas avançam em alguns pontos que tocam numa necessária reforma estrutural do Estado. Em termos genéricos, pode-se dizer que ela é tímida como reforma à esquerda se pensarmos que ela nem projeta uma reforma tributária que valorize as necessidades básicas da população mais carente, que atinja os preços da cesta básica e também do desenvolvimento regional. A direita também deve imaginar que são reformas tímidas porque ela objetiva uma postura mais radical de diminuição do Estado e até de extinção da ação do Estado em alguns casos. A narrativa que visa estabelecer que as reformas de Temer são de direita, que retiram direitos, faz parte da narrativa petista de combate ao impeachment. Ela se situa num campo de reação e de revanche ao impeachment, visando sair da defensiva em que o PT foi colocado. Assim, não vejo como não estar no campo de discussão das reformas e apoiá-las naquilo que significa um avanço para o país. Acho essa a posição mais correta.
FAP: Qual mensagem você daria ao jovens que vão participar do II Encontro?
Alberto Aggio – Olha, o Encontro de Jovens é um momento importante, mas é apenas um momento. Pode-se extrair dele, além dos afetos que eventualmente possam ser gerados, um conjunto de questões para pensar a política em termos democráticos. Política é uma paixão que deve ser vivida para fortalecer a vida, para dar sentido a ela, um sentido positivo, desafiador, de inconformismo e de busca de realismo para atuar. Para os jovens que estarão lá, espero que essa seja uma descoberta valiosa.